Indicadores de SST: taxa de frequência não basta
Sistema de SST certificado com índice de acidentes parado mede a coisa errada. Indicador que só conta o que já doeu chega tarde por definição.

Quem procura "planilha de indicadores de segurança" costuma já ter o sistema certificado e a sensação de que ele não mudou o resultado. Vale dizer por que a planilha não resolve — e o que resolve.
Taxa de frequência e gravidade olham para trás
São indicadores reativos: contam o que já aconteceu. Servem, e são obrigatórios, mas uma empresa que só os acompanha descobre o problema depois que alguém se machucou.
E há um efeito perverso conhecido: onde o número vira meta de bônus, a subnotificação sobe. O índice melhora e a exposição continua igual.
O que falta quase sempre: o indicador proativo
- Ações da hierarquia de controles concluídas — quantas eliminaram ou substituíram o perigo, e não apenas acrescentaram EPI.
- Quase-acidentes reportados. Número que SOBE é boa notícia: significa que as pessoas confiam o suficiente para relatar.
- Inspeções e diálogos com desvio tratado, não só realizados.
- Tempo entre identificar o risco e controlá-lo. É o indicador que mais fala sobre o sistema.
- Participação real do trabalhador — a exigência central da ISO 45001, e a mais difícil de evidenciar com planilha.
O sintoma de que o sistema está medindo o errado
A investigação de acidente termina em "falha humana" e a ação termina em "reforçar o treinamento". Esse par mantém o número onde está, porque não muda nada na tarefa. Quando ele aparece duas ou três vezes no mesmo ano, o problema não é o acidente: é o método de investigação.
Como medir o que o indicador não mostra
O questionário de maturidade mede como o sistema de SST roda de verdade — se ele antecipa ou só registra — em 10 a 15 minutos, sobre a sua operação e não sobre o texto da norma.